Alimentos que causam gases são, em geral, os que carregam carboidratos que o intestino delgado não digere por completo, como os do feijão, do leite e de algumas frutas e verduras, além das bebidas com gás. Essas sobras chegam ao intestino grosso, onde as bactérias fermentam e produzem gás. Isso acontece na digestão de qualquer pessoa.
O NIDDK, instituto de saúde digestiva do governo dos Estados Unidos, descreve duas portas de entrada para os gases intestinais: o ar que engolimos e a quebra, pelas bactérias do intestino grosso, de carboidratos que não foram digeridos antes. Fonte: NIDDK (National Institutes of Health, EUA), Gas in the Digestive Tract, página revisada em junho de 2021, material informativo oficial.
Ter gases, portanto, é esperado. O que incomoda é o excesso de gases: barriga estufada, cólica, desconforto no trabalho. A saída costuma estar em ajustar porção, preparo e ritmo, sem tirar da mesa o feijão e as verduras. Antes de mexer no prato, vale fazer o teste do intestino do Nutrir360 para ter um retrato do seu ritmo.

- 3 Fontes do volume de gás: Ar engolido, reação entre ácido e bicarbonato e fermentação das bactérias
- Enxofre Origem do mau cheiro: Traços de compostos sulfurados ligados à dieta, ao trânsito e à microbiota
- Low FODMAP Reduz fermentação, não o cheiro: Dieta e enzimas específicas podem diminuir sintomas ou gás total
- Na prática Ajuste pelo tipo de queixa: Muito volume pede olhar fermentáveis, ar engolido e bebidas com gás
Fonte: Aziz Ullah (2026), Journal of Gastroenterology and Hepatology.
Por que alguns alimentos dão mais gases que outros?
Alguns alimentos dão mais gases porque deixam mais sobra fermentável para as bactérias do intestino grosso. Uma revisão publicada em outubro de 2026 separa duas coisas que costumam ser tratadas como uma só: a quantidade de gás e o cheiro dele, que têm origens em parte diferentes e respondem a ajustes diferentes.
A revisão de Aziz Ullah, no Journal of Gastroenterology and Hepatology, aponta três fontes principais do volume de gás: ar engolido, reações entre ácido e bicarbonato no tubo digestivo e fermentação feita pelas bactérias. O cheiro vem de quantidades pequenas de compostos de enxofre, que dependem de aminoácidos com enxofre e de sulfato da dieta, do trânsito intestinal e do metabolismo da microbiota. Fonte: Ullah, Journal of Gastroenterology and Hepatology, 2026, revisão de estudos em humanos e de mecanismos.
O mesmo trabalho relata que estudos em humanos com dieta pobre em FODMAP e com enzimas específicas podem reduzir sintomas de fermentação ou o gás total, mas não necessariamente o mau cheiro (mesma fonte). O limite: é uma revisão narrativa, que reúne estudos diferentes entre si, sem um número único de efeito, e com pesquisas feitas fora do Brasil, com outra alimentação.
Na prática, isso ajuda a ler o próprio corpo. Muito volume pede olhar para fermentáveis, ar engolido e bebidas com gás. Cheiro forte, sozinho, nem sempre melhora com o mesmo ajuste. Para entender quem são essas bactérias e o que elas comem, veja o guia sobre microbiota intestinal e comida de feira.
Quais alimentos dão gases, grupo por grupo?
Os alimentos que mais dão gases se dividem pelo motivo da fermentação: leguminosas, leite e derivados para quem digere mal a lactose, algumas frutas e adoçantes, verduras como repolho e brócolis, e bebidas com gás. Entender o grupo ajuda a mexer só no que incomoda, em vez de cortar tudo de uma vez.
Leguminosas
Feijão carioca, preto, de corda, verde, fava, lentilha e grão-de-bico têm oligossacarídeos da família da rafinose. A revisão de Machado e colegas cita esses açúcares entre os fatores que limitam a tolerância intestinal às leguminosas. Fonte: Machado, Samaei e Lazarte, Food Reviews International, 2026, revisão sobre processamento de leguminosas.
Leite e derivados
A lactose do leite só vira problema para quem produz pouca enzima para digeri-la. O NIDDK lista a intolerância à lactose entre as condições ligadas aos sintomas de gases (mesma fonte do NIDDK). Muita gente tolera bem queijo coalho ou iogurte e sente mais com o café com leite.
Frutas, adoçantes e o grupo FODMAP
FODMAP é a sigla em inglês para carboidratos fermentáveis de cadeia curta, que inclui lactose, frutose em excesso e polióis, usados em produtos diet. A tabela completa e as fases estão no guia da dieta low FODMAP.
Verduras e bebidas com gás
Repolho, couve-flor e brócolis também levam carboidratos que chegam ao intestino grosso. Já refrigerante, cerveja e água com gás colocam gás direto no estômago, assim como comer rápido e engolir ar. O NIDDK cita engolir menos ar entre as primeiras medidas (mesma fonte).
| Grupo | Exemplos na mesa brasileira | Por que fermenta | Ajuste possível |
|---|---|---|---|
| Leguminosas | Feijão carioca, verde, de corda, fava, lentilha | Oligossacarídeos da família da rafinose | Molho com água descartada e aumento gradual da porção |
| Leite e derivados | Café com leite, mingau, pudim | Lactose mal digerida em quem tem pouca enzima | Observar porção e testar versões com menos lactose |
| Frutas e adoçantes FODMAP | Algumas frutas, produtos diet com polióis | Frutose em excesso e polióis fermentáveis | Anotar no diário e ajustar quantidade |
| Verduras crucíferas | Repolho, couve-flor, brócolis | Carboidratos que chegam ao intestino grosso | Cozidas e em porções menores no começo |
| Bebidas com gás e ar engolido | Refrigerante, cerveja, água com gás, comer rápido | Gás entra direto pelo estômago | Água sem gás na refeição e comer sentada |
Elaboração Nutrir360 com base em NIDDK, Gas in the Digestive Tract (2021), Machado e colegas (Food Reviews International, 2026) e Ullah (Journal of Gastroenterology and Hepatology, 2026)
Feijão causa gases mesmo? Como preparar para incomodar menos
Feijão causa gases em muita gente por causa dos açúcares da família da rafinose. O preparo muda essa conta: deixar de molho, germinar e fermentar reduzem esses compostos, segundo revisão publicada em 2026. Tirar o feijão do prato vai contra o Guia Alimentar e costuma ser desnecessário.
Machado, Samaei e Lazarte revisaram métodos tradicionais (molho, germinação, fermentação) e novos, usados pela indústria, e descrevem redução dos oligossacarídeos e dos fitatos (mesma fonte). O limite: a revisão olha para o alimento, não mede sintomas em pessoas, e não traz um tempo de molho padrão para a cozinha de casa.
O Guia Alimentar para a População Brasileira valoriza o arroz com feijão, o cuscuz e o baião de dois com feijão de corda como parte da nossa tradição. Fonte: Ministério da Saúde e USP, Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª edição, 2014, documento oficial.
- Deixe o feijão seco de molho de um dia para o outro e descarte essa água antes de cozinhar, já que parte dos açúcares sai para ela.
- Cozinhe até ficar bem macio.
- Se não está acostumada, comece com meia concha e aumente aos poucos ao longo das semanas.
- Varie o tipo (carioca, preto, de corda, verde) e anote como cada um cai para você.
- Coma sentada e mastigue devagar, para engolir menos ar.
Truques de alívio na hora estão no guia como eliminar gases, com feijão de molho e sinais de alerta.
Cortar fibra resolve o excesso de gases?
Cortar fibra de uma vez é o erro mais comum de quem sofre com gases. Pode aliviar no curto prazo, mas tira da mesa feijão, verduras e frutas, que o Guia Alimentar coloca na base da comida brasileira, e deixa as bactérias do intestino com menos alimento. Ajustar dose, preparo e ritmo costuma dar resultado sem essa perda.
A dieta pobre em FODMAP aparece na revisão de Ullah como estratégia que pode reduzir sintomas de fermentação (mesma fonte da revisão). Ela é restritiva e feita em fases, por isso funciona melhor com acompanhamento, e não como regra para a vida toda.
- Aumente a fibra aos poucos: um alimento novo por vez, por alguns dias, antes de somar outro.
- Espalhe as leguminosas pela semana em vez de concentrar tudo num almoço de domingo.
- Troque o refrigerante ou a cerveja da refeição por água sem gás quando a barriga já estiver estufada.
- Repare nas somas: feijoada, refrigerante e pudim de leite no mesmo almoço juntam três grupos fermentáveis.
- Prefira comer sentada, sem pressa e sem falar de boca cheia.
Exemplo ilustrativo de diário de 3 dias para achar o seu gatilho
Um diário de 3 dias mostra que o gatilho dos gases raramente é um alimento isolado. Costuma ser uma combinação, uma porção maior ou um horário. Anotar o que comeu, o que bebeu e uma nota de 0 a 3 para o desconforto ajuda a decidir o que ajustar primeiro, sem cortar nada por suposição.
Exemplo ilustrativo, com dados inventados para explicar o método:
- Dia 1: cuscuz com ovo e café com leite no café da manhã; almoço com arroz, feijão verde e salada de repolho cru; tapioca à noite. Nota 2 no meio da manhã, nota 1 à tarde.
- Dia 2: macaxeira cozida com queijo coalho e café preto; almoço com peixe, arroz e feijão carioca com refrigerante. Nota 0 de manhã, nota 3 à tarde.
- Dia 3: cuscuz com café com leite de novo; almoço igual ao do dia 2, com água no lugar do refrigerante. Nota 2 de manhã, nota 1 à tarde.
A leitura: a manhã piora nos dias com café com leite, e a tarde piora quando o feijão vem junto do refrigerante. A decisão foi testar café com menos leite por uma semana e trocar a bebida do almoço, mantendo o feijão de molho. O cuscuz e a macaxeira ficaram no cardápio.
Quando o excesso de gases pede médico ou nutricionista?
O excesso de gases pede médico quando vem junto de sangue nas fezes, febre, perda de peso sem motivo, dor forte, diarreia ou intestino preso que não passa. Gravidez, criança, idoso frágil e quem trata alguma doença também devem conversar com médico ou nutricionista antes de mudar a alimentação por conta própria.
Segundo o NIDDK, o médico investiga a causa com histórico e exame físico e pode pedir exames se suspeitar de condições como doença celíaca, síndrome do intestino irritável ou intolerância à lactose (mesma fonte do NIDDK). Se o incômodo tem horário certo, o guia barriga inchada e o que o horário do inchaço indica ajuda a organizar as informações para a consulta.
Sem sinal de alerta, uma nutricionista pode ajudar a montar ajustes de porção e preparo para a sua rotina. Para saber o que levar, veja como é a primeira consulta com nutricionista. Quem prefere aprender em grupo pode conhecer o Reset Integral, programa de educação alimentar com triagem e acompanhamento, que não diagnostica nem trata doença.
Para continuar o registro além dos 3 dias, o e-book do diário de 14 dias da barriga inchada traz o modelo pronto para anotar refeições, bebidas e sintomas.
Fontes deste guia
- Ministério da Saúde, Guia Alimentar para a População Brasileira (2014), Guia Alimentar para a População Brasileira
- NIDDK (National Institutes of Health, EUA), Gas in the Digestive Tract, Gas in the Digestive Tract – NIDDK
- Aziz Ullah (2026). Dietary and Microbial Determinants of Intestinal Sulfur Gas and Malodor: Mechanisms, Phenotypes, and Nutritional Mitigation. Journal of Gastroenterology and Hepatology. DOI
- Laura M. Machado, Yasaman Samaei, Claudia Eliana Lazarte (2026). Advances in Processing Strategies to Enhance Bioactive Potential and Reduce Antinutritional Factors in Edible Legumes and Pulses. Food Reviews International. DOI
Como este guia foi feito: a equipe editorial Nutrir360 escreveu este texto com apoio de IA a partir das fontes listadas acima; todo número tem a fonte indicada ao lado.
Perguntas frequentes
Gás com cheiro forte é sinal de doença?
Nem sempre. Uma revisão de 2026 no Journal of Gastroenterology and Hepatology mostra que o cheiro vem de pequenas quantidades de compostos de enxofre ligados à dieta e às bactérias, separado do volume de gás. Se o cheiro vier com dor, sangue nas fezes, febre ou mudança persistente do intestino, procure um médico.
Probiótico ajuda a diminuir gases?
A evidência ainda é limitada. A revisão de Ullah (2026) descreve que os resultados dependem da cepa usada e são em grande parte indiretos. Antes de comprar qualquer produto, converse com médico ou nutricionista sobre o seu caso.
Remédio ou enzima para gases resolve?
Segundo o NIDDK, o médico pode indicar remédios ou suplementos conforme os sintomas e as condições de saúde de cada pessoa. A revisão de 2026 cita enzimas específicas que podem reduzir o gás total em estudos com humanos. A escolha deve ser feita com um profissional, sem automedicação.
A dieta low FODMAP serve para todo mundo que tem gases?
Não é indicada como regra geral. Ela pode reduzir sintomas de fermentação, mas é restritiva e feita em fases. Costuma ser usada com acompanhamento profissional, principalmente em quem tem síndrome do intestino irritável.

Guia Intestino Leve
Descubra o que o seu intestino está tentando dizer.
- Checklist dos 12 sinais de que o intestino pede atenção
- Escala de Bristol ilustrada: o que o formato das fezes conta
- 7 dias de hábitos simples para começar hoje
Material educativo da nutricionista Luciana Medeiros. Não substitui consulta.




