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Eixo intestino-cérebro e os novos Critérios de Roma V na alimentação do dia a dia

· 10 min de leitura

Capa do artigo: Eixo intestino-cérebro e os novos Critérios de Roma V na alimentação do dia a dia
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O eixo intestino-cérebro é a comunicação de mão dupla entre o sistema nervoso do intestino e o cérebro. Os Critérios de Roma V, publicados em 2026, abandonam o rótulo “funcional” e reforçam o diagnóstico positivo, feito pela história e pelo exame físico. Na alimentação, comida de verdade e fibra ajudam. Restrições pedem acompanhamento.

O eixo intestino-cérebro é a via de comunicação de mão dupla entre o sistema nervoso do intestino e o cérebro. Ele ajuda a entender por que dor, inchaço, azia e intestino desregulado podem aparecer sem nenhuma lesão visível nos exames. Em 2026, a Fundação Roma publicou a quinta edição dos critérios que orientam o diagnóstico desses quadros, os Critérios de Roma V.

O intestino abriga uma rede de cerca de 500 milhões de neurônios, chamada sistema nervoso entérico, que conversa o tempo todo com o cérebro. Fonte: Veja Saúde, reportagem “Intestino nos eixos”, 14 de outubro de 2026, com o gastroenterologista Jaime Gil (Einstein).

Este texto explica o que mudou no diagnóstico, o que a pesquisa recente diz sobre comida e intestino, o que dá para ajustar no prato com segurança e quais sinais pedem exame.

Infográfico: Dieta e distúrbios intestinais pelo mundo
Dieta e distúrbios intestinais pelo mundo O que o estudo global da Fundação Roma encontrou

  1. 33 países no levantamento: Dados coletados pela internet, em entrevistas domiciliares ou pelas duas formas.
  2. 54.127 respostas pela internet: Maior das duas pesquisas comparadas pelos autores.
  3. 20.973 entrevistas em domicílio: Segunda pesquisa, com mais dietas sem lactose e à base de arroz.
  4. Tendência pão e arroz: Predomínio de pão e arroz ligado a menos distúrbios; sem lactose, a mais.

Fonte: Daniel W. Bushyhead, Rutaba Khatun, Shrikant I. Bangdiwala et al (2026), Journal of Neurogastroenterology and Motility.

O que mudou com os critérios de Roma V?

Os critérios de Roma V, publicados em maio de 2026 na revista Gastroenterology, deixam de lado o termo “funcional”, passam a chamar a antiga constipação funcional de constipação crônica e reforçam o diagnóstico positivo. Na prática, o médico reconhece o padrão dos sintomas pela conversa e pelo exame físico, sem pedir uma bateria de exames para todo mundo.

O documento foi assinado por Douglas Drossman, Lin Chang e Jan Tack, nomes de referência da gastroenterologia. Fonte: UCLA Health, Departamento de Medicina, registro do artigo “Disorders of Gut-Brain Interaction and the Rome V Process”, Gastroenterology, maio de 2026.

Por que tirar a palavra “funcional”

Segundo os autores da diretriz, o termo passou a ser associado a algo “não orgânico”, psiquiátrico ou até ilegítimo. A dispepsia, que afeta o estômago, continua com o sobrenome “funcional” nesta edição. (Veja Saúde, mesma fonte)

Diagnóstico positivo no lugar do “já excluí tudo?”

Antes, muita gente só recebia o nome do problema depois de uma sequência longa de exames normais. Com Roma V, a pergunta do profissional inclui outra camada: esse conjunto de sintomas forma um padrão clínico reconhecível? Os exames continuam sendo pedidos quando há sinais de alerta. Fonte: Pediatria Digital, “O Roma V foi atualizado”, 2 de junho de 2026.

Quais problemas entram nos distúrbios da interação intestino-cérebro?

Entram nesse grupo quadros comuns no consultório, como a síndrome do intestino irritável, a constipação crônica e a dispepsia funcional, conhecida como “gastrite nervosa”. Em comum, os sintomas são reais e se repetem, sem infecção, lesão ou tumor que os expliquem nos exames.

  • Síndrome do intestino irritável (SII): dor abdominal ligada a mudanças no hábito intestinal, com diarreia, prisão de ventre ou os dois alternando.
  • Constipação crônica: evacuar com dificuldade ou pouca frequência por um período longo.
  • Dispepsia funcional: desconforto na parte de cima da barriga, saciedade rápida, sensação de má digestão.
  • Outros: a reportagem cita ainda refluxo e inchaço abdominal no mesmo grupo. (Veja Saúde, mesma fonte)

Exame normal não significa sintoma inventado. Entre os mecanismos descritos estão sensibilidade aumentada do intestino, alterações no movimento intestinal, processamento da dor pelo cérebro, fatores imunes, ambiente emocional e social e a microbiota. (Pediatria Digital, mesma fonte)

A microbiota é o conjunto de bactérias que vive no intestino. Se quiser entender melhor como ela se alimenta, vale ler o guia sobre microbiota intestinal e comida de feira.

O que a alimentação tem a ver com o eixo intestino-cérebro?

A comida muda a fermentação no intestino, a microbiota e a forma como os sintomas aparecem, mas a pesquisa ainda mostra mais associações do que causas. Um levantamento global da Fundação Roma encontrou tendências entre tipo de dieta e distúrbios intestinais, e uma revisão de 2026 mostra que só algumas estratégias têm apoio de diretrizes.

O que o estudo global mostrou

O grupo de Daniel Bushyhead analisou 54.127 respostas pela internet e 20.973 entrevistas domiciliares em 33 países. Dietas com predomínio de pão e de arroz apareceram ligadas a menor frequência de vários distúrbios intestinais. A dieta sem lactose apareceu ligada a maior frequência. Fonte: Bushyhead e colaboradores, Journal of Neurogastroenterology and Motility, julho de 2026, Estudo Epidemiológico Global da Fundação Roma, 33 países.

O limite é claro: as duas pesquisas deram resultados diferentes entre si, e o desenho só mostra associação. É provável que parte das pessoas com sintomas tenha cortado a lactose por conta própria, e não o contrário.

O que a revisão de 2026 diz sobre fibra e probióticos

A revisão de Om Kolthoum Sallem, sobre SII, reuniu diretrizes e estudos publicados até junho de 2026. A fibra solúvel tem apoio de diretrizes para os sintomas gerais e para a SII com prisão de ventre. Já a evidência sobre probióticos é específica de cada produto e raramente repetida por outros grupos. Fonte: Sallem, Frontiers in Pharmacology, outubro de 2026, revisão narrativa da literatura até junho de 2026.

A mesma revisão lembra que melhorar com a dieta low FODMAP não prova que o efeito venha da microbiota, e que o transplante de microbiota fecal segue experimental. Por ser uma revisão narrativa, de uma autora só, ela organiza o que existe, sem o peso de uma revisão sistemática. (mesma fonte)

O que dá para mudar no prato com segurança?

Com segurança, dá para montar a base da alimentação com comida de verdade, incluir fibra aos poucos e observar o próprio corpo. Cortar grupos inteiros de alimentos ou seguir dieta de exclusão por conta própria é o passo que pede acompanhamento, porque pode empobrecer o cardápio e atrasar o diagnóstico.

  1. Faça da comida pouco processada a base. O Guia Alimentar recomenda basear as refeições em alimentos in natura e minimamente processados e evitar ultraprocessados. Na mesa do Nordeste isso cabe no cuscuz com ovo, na tapioca com queijo coalho, no feijão verde, na macaxeira e no peixe. Fonte: Ministério da Saúde e USP, Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª edição, 2014.
  2. Inclua fibra solúvel devagar. Aveia, frutas e legumes entram aos poucos, para o intestino se acostumar. Aumento brusco tende a trazer mais gases no começo.
  3. Não corte lactose, glúten ou feijão sozinha. O estudo global mostrou associação, sem provar causa. Antes de tirar um alimento, anote quando o sintoma aparece.
  4. Low FODMAP só com acompanhamento. É uma dieta em fases, com retirada temporária e reintrodução. O passo a passo está no guia da dieta low FODMAP e suas 3 fases.
  5. Probiótico é conversa para a consulta. Como o efeito depende do produto, a escolha precisa de avaliação individual.

O erro mais comum é tirar vários alimentos de uma vez. Quando o sintoma melhora, ninguém sabe qual mudança ajudou, e o cardápio fica pobre sem necessidade.

O que a evidência diz sobre cada estratégia para o intestino
Estratégia O que a evidência mostra Dá para fazer por conta?
Comida in natura e pouco processada Base recomendada pelo Guia Alimentar brasileiro Sim, no dia a dia
Fibra solúvel Apoio de diretrizes para sintomas gerais e SII com prisão Sim, aumentando aos poucos
Dieta sem lactose Associada a mais distúrbios em estudo global, sem provar causa Não, só após avaliação
Dieta low FODMAP Melhora sintomas, sem provar efeito pela microbiota Não, só com acompanhamento
Probióticos Efeito depende do produto, pouco repetido em estudos Converse com um profissional
Transplante de microbiota fecal Ainda experimental Não

Elaboração Nutrir360 com base em Sallem (Frontiers in Pharmacology, 2026), Bushyhead e colaboradores (Journal of Neurogastroenterology and Motility, 2026) e Guia Alimentar para a População Brasileira (2014)

Quando os sintomas pedem exame e médico?

O diagnóstico positivo de Roma V vale para quem não tem sinais de alerta. Se algum dos sinais abaixo aparecer, a investigação com exames continua necessária, e a consulta com médico deve vir antes de qualquer mudança grande na alimentação.

  • Sangue nas fezes ou fezes muito escuras.
  • Perda de peso sem motivo.
  • Febre junto com os sintomas intestinais.
  • Dor forte ou que acorda você à noite.
  • Mudança recente do hábito intestinal que não passa.
  • Gravidez, doença em tratamento, crianças ou idosos frágeis com sintomas.

Sintoma persistente, mesmo sem nenhum desses sinais, merece avaliação. Para crianças, o Roma V também traz critérios próprios, que o pediatra conhece. (Pediatria Digital, mesma fonte)

Como levar o histórico de sintomas para a consulta

Como o diagnóstico de Roma V depende da história contada, um diário de sintomas de duas semanas ajuda o médico e a nutricionista a reconhecer o padrão. Basta anotar o que comeu, quando o sintoma veio, a intensidade e o formato das fezes.

Exemplo ilustrativo. Uma mulher de 38 anos sente inchaço e alterna dias de intestino preso e solto. Por 14 dias, ela anota três refeições por dia, o que dá 42 registros. Ela usa uma nota de 0 a 10 para o desconforto e a escala de Bristol para o formato das fezes.

No fim, a conta mostra inchaço em 9 dos 14 dias. Em 7 desses 9, o desconforto veio depois de almoços corridos, com refrigerante. Nas noites de sono ruim, a nota passou de 6. Ela não tem nenhum sinal de alerta.

A decisão: em vez de cortar o feijão, que aparecia também nos dias bons, ela leva o diário ao médico para o diagnóstico e depois à nutricionista para ajustar a rotina. Para saber o que mais levar, veja como funciona a primeira consulta com nutricionista.

Fontes deste guia

Como este guia foi feito: a equipe editorial Nutrir360 escreveu este texto com apoio de IA a partir das fontes listadas acima; todo número tem a fonte indicada ao lado.

Perguntas frequentes

Os critérios de Roma V valem no Brasil?

Sim. Os Critérios de Roma são uma referência internacional usada por gastroenterologistas e pediatras brasileiros no consultório e no SUS. A quinta edição foi publicada em 2026 e passa a orientar o diagnóstico desses quadros.

Se meus exames vieram normais, meu sintoma é emocional?

Exame normal não significa sintoma inventado. Os distúrbios da interação intestino-cérebro envolvem mecanismos reais, como sensibilidade aumentada do intestino, alterações de movimento e participação da microbiota. O ambiente emocional é um dos fatores, ao lado de vários outros.

Probiótico melhora o eixo intestino-cérebro?

Uma revisão de 2026 mostrou que a evidência sobre probióticos na síndrome do intestino irritável depende de cada produto e raramente foi repetida por outros pesquisadores. Por isso, a escolha precisa de avaliação individual com médico ou nutricionista.

Com Roma V vou deixar de fazer colonoscopia?

Depende do seu caso. O diagnóstico positivo dispensa a bateria de exames para quem não tem sinais de alerta. Com sangue nas fezes, perda de peso sem motivo, febre ou dor forte, o médico continua investigando com exames.

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Luciana Medeiros
Quem escreveu

  • Nutricionista
  • Consultório no Tirol, Natal/RN
  • Atendimento presencial e online

Nutricionista em Natal/RN, com consultório no Tirol e atendimento online. Trabalha com nutrição integrativa, saúde intestinal, alimentação anti-inflamatória e emagrecimento sem dieta restritiva, e conduz o Reset Integral, programa de 40 dias em grupo.

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Como este texto foi feito: escrito com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com pesquisa em fontes científicas e oficiais e revisão da nutricionista responsável. Cada afirmação sobre saúde traz a referência; as fotos são ilustrativas, geradas por IA. Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta individual com nutricionista ou médico.

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